A Saúde centrada no Wally

Fisioterapia | 22 de Mai de 2020 12:33

A Saúde centrada no Wally

O tempo de isolamento trouxe consigo desafios ao ser humano, no plano da segurança física, financeira e emocional, mas também na necessidade de auto-gestão em Saúde. É evidente que nem todas as pessoas reúnem condições semelhantes na utilização de recursos pessoais para a implementação de estratégias de actuação sobre si mesmas.

 

Se algumas pessoas se responsabilizaram e auto-geriram tão bem na ausência de proximidade de profissionais de Saúde, outras entraram numa jornada de caos físico e mental, agravando o seu estado.

 

Perante este cenário, impõe-se uma reflexão que se prende com a necessidade de capacitar mais o ser humano na compreensão de si mesmo, no auto-conhecimento, na auto-gestão dos seus diferentes estados. Por outras palavras, assim que conhecemos um utente é fundamental compreender o seu estado de saúde/ doença em pormenor, mas também as suas capacidades e competências, conhecimentos e expectativas. Será deste ponto de partida que os profissionais de saúde serão capazes de avaliar e propor, em perfeita co-produção, uma intervenção que concilie a melhor abordagem cientificamente demonstrada, com a colaboração de cada pessoa, enquanto agente activo da sua saúde. Devemos questionar-nos - “Como poderá esta pessoa fazer parte da implementação da melhor proposta terapêutica?”

 

Neste processo de facilitação de saúde, serão também introduzidas estratégias que advêm da própria vida da pessoa, desde actividades físicas e lúdicas, momentos geradores de prazer e bem-estar, associando contextos específicos da pessoa, sempre acompanhados de uma comunicação empática, atenta e compreensiva do quadro referencial de quem pretendemos ajudar.

 

Porém, não confundamos uma abordagem centrada na Pessoa com uma intervenção em saúde em que a Pessoa escolhe e decide o que será a sua intervenção apenas porque “ouviu falar bem” ou porque o “vizinho fez o mesmo”, pois não está no campo de conhecimento do público em geral, o domínio da ciência, os procedimentos técnicos e a eficiência documentada de cada abordagem. Contudo, é fundamental propor opções válidas, obter o consentimento e potencializar a cooperação da pessoa na implementação dessas estratégias de intervenção e incluir a pessoa no processo de decisão, deixando espaço para a inclusão de actividades e eventos exclusivos e de interesse para cada ser humano.

Perante qualquer proposta de intervenção é fundamental informarmos acerca dos Benefícios, Riscos, Alternativas e consequências se não se fizer Nada. E numa decisão informada e consciência, caberá à Pessoa a decisão final. Contudo, o profissional de saúde deverá manter um olhar atento à capacidade de compreensão da pessoa de todas as explicações fornecidas e à capacidade de tomada de decisão que verdadeiramente promova Saúde e Vida.

 

Um modelo de Saúde centrada na Pessoa pressupõe que cada pessoa se torne mais num Agente (activo) e menos num Paciente (passivo) e para que tal aconteça, para que a filosofia se altere, é obrigatório colocar a pessoa no centro, propondo intervenções cientificamente validadas, auscultando e avaliando objectivamente quanto da intervenção poderá ser partilhada (através da análise das capacidades, conhecimentos e intenções) e incluindo na intervenção o contexto único e pessoal de cada um. Neste cenário, o profissional de Saúde deverá empenhar todos os esforços para "encontrar a pessoa no meio da multidão" (como quando procuramos afincadamente o wally), observando, escutando e compreendendo quem temos diante nós, enquanto pessoa única, passando a ser um facilitador, ao potencializar as suas capacidades de auto-conhecimento e auto-gestão.

Apenas desta forma será possível atingir níveis mais profundos e essenciais de Saúde e bem-estar. Apenas desta forma a Saúde deixará de ser vista como um cuidado prestado e passará a ser vista como parte integrante da vida, intimamente relacionada com quem somos, enquanto Pessoas.

A Fisioterapia centrada na Pessoa actua ao nível da promoção de saúde, prevenção e diminuição de factores de risco associados a lesões e patologias e ainda ao nível da recurapção funcional de lesões ou disfunções do movimento.


- tiago freitas -

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