Exercício Terapêutico na Dor do Desportista

Fisioterapia | 21 de Jun de 2017 19:57

Exercício Terapêutico na Dor do Desportista

A complexidade do contexto desportivo assenta numa interacção perfeita entre preparação física, diminuição do risco de lesão, orientações técnicas e táticas e, na eventualidade de ocorrer uma lesão ou disfunção, no retorno eficiente à prática desportiva. Para além destes factores, temos ainda um desafio eminente, que consiste na compreensão de cada atleta em toda a sua extensão, adequando a intervenção às suas características intrínsecas. Enquanto Fisioterapeutas, é fundamental a realização de uma avaliação cuidada e selecção das melhores estratégias de intervenção, tanto a nível da prevenção, como a nível de intervenção de lesões e/ou disfunções de movimento.

Neste sentido, é determinante o conhecimento aprofundado relativamente ao real efeito das abordagens clínicas. Sendo o exercício terapêutico uma das principais ferramentas do Fisioterapeuta e sendo conhecidos os seus efeitos ao nível biomecânico e funcional, é essencial, numa fase de mudança de paradigma na Saúde, a compreensão dos efeitos do ponto de vista neuro-imunológico.

Numa cascata alucinante e pensando nos mecanismos fisiológicos para-lesionais, o sistema nervoso, em interacções com o sistema imunológico, produz mediadores químicos que promovem a inflamação, sempre que esta é necessária, criando à posteriori condições para repor a homeostasia endógena através de mediadores de acção antagónica. Como se costuma dizer, “tudo está bem, quando acaba bem… e se não está bem é porque ainda não acabou”, o que significa que o organismo, influenciado por diversos factores (i.e. ambientais, cognitivos, comportamentais, emocionais, genéticos, etc) irá promover as acções necessárias para o equilíbrio, traduzindo-se na reparação tecidular, diminuição da irritabilidade nos tecidos, diminuição da dor e ganho de funcionalidade.

Enquanto Fisioterapeutas, é importante consolidarmos a posição de que a nossa intervenção vai muito para além de um efeito mecânico sobre as estruturas, sendo capaz de direcionar as respostas neuro-imunológicas no sentido anti-inflamatório e analgésico, promovendo, consequentemente, uma diminuição da expressão de proteínas pró-inflamatórias (i.e. citocinas: interleuquinas-1 e 6, FNT) presentes nos tecidos e na circulação sanguínea. É sobre esta base que o exercício terapêutico actua como antigénio no sistema neuro-imunológico, induzindo respostas bio-químicas e neuro-plásticas capazes de alterar a manifestação de sinais e sintomas.


- Tiago Freitas -

Desta reflexão surgem outras tantas que desafiam o nosso dia-a-dia clínico, tais como qual a “melhor” forma de exercício terapêutico para cada caso clínico, quais os critérios para aplicação de exercício enquanto intervenção, qual a dose mais eficaz. O futuro da Fisioterapia depende de questões como estas e de respostas que nos conduzam a uma prática mais responsável.   

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