Rotura dos ísquiotibias - características e factores de risco

Fisioterapia | 31 de Ago de 2021 15:50

Rotura dos ísquiotibias - características e factores de risco

As roturas musculares dos isquiotibiais (hamstrings) são comummente relatas em atletas profissionais ou amadores, sendo o futebol o desporto com maior incidência (37%), podendo surgir em pessoas sedentárias, com níveis de actividade física inexistente ou reduzida.

É frequente a pessoa queixar-se se dor localizada na região posterior da coxa, podendo surgir no ventre muscular (zona intermédia do músculo) ou na região rendinosa, junto ao osso ísquio (zona ósseo que contactam com a cadeira, quando nos sentamos).


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Momentos de rápida aceleração ou desaceleração, envolvendo a flexão da anca e extensão do joelho, são o mecanismo de maior risco deste tipo de lesão, existindo diferentes factores de risco para este tipo de lesões/ disfunções, os quais deverão ser avaliados e geridos po um Fisioterapeuta Especializado, no sentido de promover a sua diminuição.

Principais Factores de Risco:

  • Lesão prévia
  • Défice de activação, coordenação e endurande de músculos do core Umúsculos lobo-pélvicos)
  • Défice de flexibilidade global e específica dos isquiotibiais
  • Diminuição da força (força máxima) dos isquiotibiais
  • Défice de relação de força entre quadricípite e isquiotibiais (músculos anteriores e posteriores da coxa)
  • Idade
  • Actividade física e laboral

 
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A gravidade da lesão é baseada na extensão do dano tecidular, resposta inflamatória e perda de função.

Sistema de classificação da gravidade da lesão dos isquiotibiais:

  • Grau I (leve): alongamento excessivo com perda mínima de integridade estrutural da unidade músculo-esquelética, dor leve, pequeno edema pode existir e nenhuma ou mínima perda de função;
  • Grau II (moderado): rutura parcial ou incompleta da unidade músculo-tendão, dor moderada, edema e perda de função;
  • Grau III (grave): rutura completa da unidade músculo-tendão, dor intensa, edema e perda de função.

Tratamento e tempo de recuperação

Em lesões de grau I e II a recuperação ocorre com recurso a fisioterapia, através de uma avaliação detalhada do utente, direcionando o tratamento às suas necessidades especificas, permitindo o retorno progressivo à atividade desportiva pré-lesão. Estudos verificaram que a reabilitação funcional direcionada para a estabilidade do tronco, controlo neuromuscular, fortalecimento muscular e flexibilidade são os pontos chaves para a recuperação.

Em média, estudos científicos já realizados, apontam para que numa lesão de grau I o tempo de recuperação possa variar entre 2 a 3 semanas, enquanto que numa lesão de grau II possa ultrapassar as 4 semanas.

Relativamente às lesões de grau III, tendo em consideração fatores como idade, nível de atividade física e gravidade do dano tecidular, poderá ser necessário o encaminhamento para cirurgia, sendo um processo de reabilitação mais demorado, variando entre 5 a 6 meses.


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Desta forma, podemos perceber que características individuais como idade, estado funcional no momento da lesão entre outros, influenciarão o tempo de recuperação. Certo é que quanto mais detalhada for a avaliação em Fisioterapia e mais cedo iniciado o tratamento, mais eficaz será o mesmo, assim como o retorno à atividade física, livre de dor e limitações de movimento.

 

- Rafaela Raposo -
Fisioterapeuta da Clínica Neurodor
Especialista em Fisioterapia Músculo-esquelética e Pilates Clínico

 

Bibliografia

Barbar Kuske, et al (2016). Patterns of hamstring muscle tears in the general population: a systematic review

Lucio Ernlund & Lucas de Ameida Vieira (2017). Hamstring injuries: update article

Sunikom Suppauksorn, et al (2020). Endoscopic approach to proximal hamstring avulsion repair

Aaron Leininger, et al (2020). Endoscopic-assisted anatomic reconstruction of chronic proximal hamsting avulsion with Achilles allograft

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